Moin Moin, folks!
Onde eu havia parado... ah! Chegamos na Oktoberfest!
Era 07:30. Paramos o ônibus em uma espécie de ponto de desembarque de ônibus. Só havia o nosso, na hora, mas o local era enorme. Dava para ver que era algo preparado para que o pessoal chegasse na festa, porque havia muita gente indo para a Oktoberfest.
Vocês devem estar pensando: "07:30, indo para a Oktoberfest? fumaram o quê?". Como diz o Arnaldo César Coelho, a regra é clara. Nos galpões da Oktober daqui, só pode comprar canecos de chope quem está sentado em uma mesa. Só arranja uma mesa quem chega cedo. Os galpões principais lotam já na abertura dos portões.
E como havia galpões! Não sei quantos, mas cada cervejaria grande daqui tem um galpão (cada cervejaria da Alemanha, então a concorrência é feroz, sacaram?). Tinha da Franziscaner, da Paulaner, de várias. Não tinha da Becks, aqui de Bremen, mas o pessoal do sul acha a Becks um mijo. Eu digo que dá de dez a zero nas brasileiras, então imaginem o naipe da Paulaner.
E foi no galpão da Paulaner que eu entrei. Um dos, para dizer a verdade. A Paulaner tem dois galpões. Eu imagino que seja para dois tipos diferentes de chope, mas não posso garantir. Para entrar no galpão, foi uma odisseia. Primeiro que, ao chegar, já havia uma fila grande. "Fila" não é nome correto para aquele monte de gente atulhada em frente a um cordão de isolamento, mas na falta de uma palavra melhor, vai fila mesmo. De repente, a galera começou a sair puteada daquela suposta entrada e a ir para um lugar uns dez metros ao lado. Descobrimos que o local não era aquele. Ainda não haviam aberto os portões, ainda. Fomos para o lado. Aí, ouvimos falar de uma outra entrada do outro lado que seria mais tranquila. Quando começamos a caminhar, abriram os portões de onde estávamos. Como dizia o poeta, "ih, fodeu" (licença poética, eu posso usar palavrões).
Me arrependo até esse momento de não ter gravado esse momento. Só parei para gravar quando já havíamos arranjado a nossa mesa. Foi uma zoeira. Todo mundo entrou correndo, sem revista da segurança nem nada. Quem entrava, subia em uma mesa e gritava para os amigos algo do tipo "eu estou aqui, arranjei uma mesa". Demos sorte e conseguimos a nossa. Depois, trocamos de mesa com outro grupo e fomos mais para perto de onde vinham os chopes.
Depois de uns vinte minutos, começaram a servir os chopes, sob largos aplausos da multidão. Vocês já viram fotos de como são carregados?
Cada caneco pesa um quilo, mais ou menos. Me disseram que é um quilo e meio, mas eu não tenho certeza. Toca mais um litro de chope e temos dois litros/caneco. Cada garçonete carrega dez canecos desses por tacada. Vocês fazem isso com frequência? Eu só faço isso na academia, e digo que é difícil.
Outra coisa sobre a imagem acima. Bonita, a garota, né? Todo solteirão sonha em ir para a Oktoberfest e ver essas lendárias garçonetes daqui. O meu galpão não teve disso. As garçonetes (pelo menos as que eu vi) eram todas as senhoras, velhas de guerra da Oktoberfest. Havia três mulheres que passavam pela minha mesa. Uma era gente-boníssima, outra, meia-boca. A terceira devia estar na TPM. Ô mulher infernal. Deve ser porque acordou tarde e não teve tempo de depilar o bigode. Bigoduda dos infernos.
Mas, esqueçamos as garçonetes e nos concentremos no que importa. Festaaaa!
Detalhe do vídeo: a garota que fez ele se ofereceu para bater uma foto para nós. Em inglês. Ela sabia que éramos brasileiros. Reparem que, quando eu falo para ela, em inglês, que era para era parar o vídeo, pois estava gravando, ela diz "ah tá!"
E a cerveja? Era boa?
A imagem diz tudo.
O local é muito legal. No meio do galpão, tinha o palco. No começo, tocou só bandas instrumentais e, no final, houve bandas com vocal. Vou dizer que me faltou aquele estilo de música de oktober mais brasileiro, com a galera dançando e fazendo escarceu. Mas não era ruim, não.
Depois que começaram a servir os chopes, alguns grupos resolviam tentar ver quem conseguia virar um caneco inteiro. Nessas horas, todo o galpão gritava e fazia baderna. Se conseguisse, o cara era aplaudido. Se não conseguisse, passava vergonha. Quem manda querer se pagar?
Havia mais brasileiros lá! Na verdade, isso é meio óbvio, se considerar que brasileiro gosta de se espalhar pelo planeta. Descobrimos mais ou menos quantos havia lá, porque um grupo a uns cinco metros começou a cantar aquela clássica "eeeeeu sou brasileeeeeeiro, com muito orguuuuuuuuulhooooo, com muito amooooor". Na hora, nós acompanhamos. Depois, vimos mais uns dois grupos. Era um grupo de paulistas (que nós chamávamos de corinthianos), um grupo que incluia um cara com a camisa do Cruzeiro, outro grupo com um cara com a camisa do Fluminense e um ou outro avulso, por aí. Havia também dois caras, um com uma camisa do Grêmio e outro com a do Juventude. Quando nós acabamos de cantar e descemos dos bancos (ah, havíamos subido nos bancos), apareceu um segurança com cara de mau e disse "se subirem de novo, eu ponho para fora. Depois das 18:00, pode. Antes, não. Lembrem desse horário: 18:00.
Eu acho que eu gravei esse vídeo antes das 14:00.
Quem vê isso pensa "os brasileiros dominam!". Não é bem assim. Os italianos dominam. Fica fácil, a fronteira é logo ali. Volta e meia eles cantavam algo como "bebo, bebo, bla bla bla bla". Aí dava para ver que tinha muito italiano naquele lugar. Tudo tarado sem-vergonha. No final da festa, tinha um até querendo bater fotos das garotas do nosso grupo. Adivinha de que parte do corpo? Cheguei do lado e falei "nã nã". Ele deu uma chorada, mas saltou fora.
Cara, chegou uma hora que eu olhei o relógio pensando "deve ser umas três e meia, já...". Era 12:45. Nós entramos muito cedo. Só estava no começo...
Meu primeiro rango do dia no galpão foi um Gulash de sei lá o que. Veio uma sopa de salsicha. Na primeira colherada, eu falei "pô, é bom, apimentadinho". Na quinta colherada, eu já estava dando um gole de cerveja por colherada, para baixar a queimação da pimenta.
Que lugar abafado. Para o meu azar, exatamente o nosso ponto no galpão era assim. Quando eu andava por outros pontos, não era tão ruim. Chegou uma hora que eu quase desmaiei, por falta de ar. Minha pressão devia estar muito baixa. Aí, uma das brasileiras falou para mim ir dar uma volta, tirar a camisa por baixo da do Criciúma, que eu ia me sentir melhor. Que bom que ela avisou isso, senão eu teria problemas.
Vocês já viram o mundo através do fundo de um caneco? É relativamente fácil. Beba até o fim. Digo "relativamente" porque, depois de quatro desses, a sua visão de mundo começa a mudar. Ela fica mais caótica e cheia de imagens estranhas.
No final do dia, tocaram as melhores bandas. Todo mundo em cima dos bancos e das mesas, cantando alto. Nessa hora que teve mais acidentes. Imagine um banco desses de salão de festas, com cinco caras bêbados em cima. É uma receita para a merda. Vi vários desses virarem, gente caindo nas mesas, derrubando quem estivesse do lado. Um desses virou até briga, na mesa ao nosso lado. A briga mais estranha que eu vi em muito tempo, para dizer a verdade. Tudo invertido. A pessoa que eu acho que provocou a queda coletiva se queimou com um cara que parecia estar na dele e deu um chute no peito. Depois, ainda tentou partir para cima, mas seguraram ele. O outro, que levou o chute no peito, poderia ter aberto a cabeça do primeiro, porque estava com um caneco na mão. Aparentemente, ele tinha ainda um pouco de ciência do estrago que faria, pois nem sequer levantou a mão para avançar no cara. Só manteve ele afastado.
Na mesa ao lado da nossa também tinha gente fazendo cagada. Um cara caiu por cima da gente umas quatro vezes. As garotas reclamaram com ele que ele estava fazendo palhaçada, que poderia machucar a gente uma hora dessas, mas eles só fizeram troça, a princípio. Aí as gurias deram de dedo na cara deles e falaram algumas frases carinhosas como "eu vou chamar a segurança, seu
son of a bitch e eles resolveram baixar a bola.
Quando a festa estava já de noite, eu comprei o meu segundo prato do dia:
Schweinebraten. Talvez não seja assim que se escreva, mas eu estou com preguiça para pesquisar. Custou uma facada - 13 euros - mas valeu cada centavo. Muito bom. A batata que veio junto (correção: A batata) tinha uma consistência que eu nunca tinha provado. Provavelmente, era feita com panela de pressão, mas não era só isso. O que mais, eu não sei. Não quis perguntar para o cozinheiro, vocês me entendem?
Lá pelo final da festa, os guris conheceram uma canadense lá e se engraçaram com ela. A garota era super receptiva, dançava com eles, deixava eles apertarem a bunda dela e tudo. Como se isso já não fosse estranho por si só, volta e meia, passava um cara mais velho pela mesa, falava algo com ela em holandês e vazava. Não tinha cara de irmão e eu duvido que fosse um namorado tão liberal assim. A tal garota se encarnou na de um gos guris e, quando o cara voltou e falou "precisamos ir", ela olhou para o cara do grupo e disse "vamos?"
Adivinha se ele foi? Ele voltou já lá pena finaleiríssma da festa, feliz da vida. Enquanto ele estava fora, um dos outros guris falou que havia perguntado para a garota quem era aquele cara mais velho. Ela respondeu de boa "
ah, he is my pimp". Pois é, está aí a explicação da tamanha... recepção calorosa dela para os meus amigos e as suas mãos.
A festa acabou oficialmente às 22:30. Depois disso, foi voltar para o ônibus e partir. Aí, parecia um final de festa como qualquer outro aí. Brigas, DRs de namorados, gente bêbada, poças de vômito, coisas assim. Eu até havia tentado convencer o pessoal no começo da festa a sairmos do galpão no final e tentar a montanha russa, mas não fui ouvido. Paciência.
É isso. Quanto à volta, foi bem mais tranquila. Todo mundo contando as suas histórias, o que viu de engraçado, o que o deixou irritado, o que não se lembra pelo excesso de chope (tá, isso é impossível; foi só uma brincadeira). A única diferença da volta é que nós estávamos todos como eu falei no post anterior: "extremamente suado, com o cabelo parecendo um medidor de óleo de carro, a roupa fedendo, a camiseta do Tigre com cerveja derrubada, uma escovada de dentes em toda a viagem... enfim, um garoto alemão normal indo para a balada na sexta". Com a diferença que eles não usavam uma camisa do Tigre, para a sua infelicidade extrema.
Último detalhe: comprei um caneco oficial da festa!
ALEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
Agora, eu tenho outra foto para postar nos momentos de alegria aqui. Se bem que eu prefiro a outra foto. Nela eu represento melhor um momento de felicidade extrema.
É isso! Espero que tenham gostado da narrativa. Garanto que todos os meus relatos são verídicos, já que eu não cheguei a ficar de porre. Semana que vem, eu vou para Berlin, e posto mais coisas lá.
Tschüs!!!