domingo, 3 de outubro de 2010

Oktoberfest - Parte 1

Moin Moin, moçada!

Cara, como é bom estar de banho tomado, dentes escovados, cheirando a desodorante e com o cabelo limpinho. Começo este post dessa forma, porque eu acabei a minha aventura pela Oktoberfest de Munique (ou München, se quiserem se pagar de malandros para os outros) exatamente da maneira oposta a isso: extremamente suado, com o cabelo parecendo um medidor de óleo de carro, a roupa fedendo, a camiseta do Tigre com cerveja derrubada, uma escovada de dentes em toda a viagem... enfim, um garoto alemão normal indo para a balada na sexta.

Comecemos a narrativa desta epopeia. Já aviso que vou dividi-la em tres partes. Aconteceu tanta coisa que, se eu colocasse isso em um post apenas, seria desconfortável de ler.

A saída de Bremen foi às 18:00. O grupo de brasileiros tinha dez pessoas. Até aí, tudo normal. O negócio começou a ficar estranho quando o ônibus partiu e nós reparamos que só havia nós no busão. Peraí: o ônibus só para nós?

ALEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE






Mas a alegria durou pouco. Dizer que durou pouco não exprime bem a realidade, porque isso não passa a real sensação de desespero que tomou conta de nós quando o guia contou que passaríamos por Köln (Colônia, malandragem) para pegar mais gente no caminho. É algo como ir de Criciúma a Joinville passando por Lages. Belezoca, hein?

Enquanto não chegávamos à nossa primeira parada, fomos aproveitando o ônibus apenas para nós. Bebidas rolando, som tocando pagode e sertanejo universitário - uma das garotas levou uma daquelas caixinhas portáteis, que funcionam a pilha - enfim, uma mordomia.



Alguns dos guris do nosso grupo foram com roupas tradicionais da Bavária (Bayer, malandragem). Camisa de botão, suspensórios e bermuda com meia alta. Chique no úrtimo. Depois, quando entraram os alemães no ônibus, eu pude reparar que eles não seriam a exceção. A galera da Alemanha curte pacas ir para a Oktober com roupas típicas. As garotas se vestem com vestidos, também. Até o mau cheiro dos alemães tradicionais eles estavam imitando, pois já na ida os brasileiros começaram a reclamar do odor de asa que contaminou o ambiente depois de certo tempo que eles entraram. Como o meu nariz é um elefante branco (é grande e não funciona), zero problemas com isso, por enquanto.

Os alemães tinham um jeito estranho de bebemorar a ida para a Oktober. A Kaline (alguns conhecem ela daí: frequentadora das antigas na quarta da caipirinha, lembram? Mundinho pequeno, esse, hein?) comentou que o negócio deles é sentar um pouco no começo, beber e, quando estiverem com o estômago forrado de álcool, começar a berrar, fazer cagadas, etc. Realmente. Deu um tempo depois de eles começarem a beber e eles começaram a beber, fazer cagadas, etc.

Quando estávamos chegando em Köln, uma surpresa animal. A catedral de Colônia (ou Kölner Dom) era bem do lado da rodoviária. O ônibus parou e o guia avisou: vocês tem quinze minutos para ir ao banheiro, comer algo, whatever. Adivinha o que fizemos?







Este trecho eu retirei da wikipédia, falando sobre a catedral de Colônia:


Landmarks

Churches
Repararam no tempo que levaram para terminar a obra? Ela tem 157 metros de altura. Para efeito de comparação, o edifício Cavaler, em Criciúma, tem 104 metros. Foi um dos poucos edifícios poupados pelos bombardeiros aliados nos vergonhosos bombardeios às cidades alemãs no final da segunda guerra mundial. Enquanto a cidade de Colônia ardia, a igreja ficou em pé, apesar de ter sido atingida 14 vezes durante os bombardeios.



Depois de ir à catedral correndo, filmar correndo, bater fotos correndo e voltar correndo para o ônibus porque achávamos que seriam só quinze minutos de parada, esperamos mais 25 minutos no ônibus. Eu com uma puta senhora vontade de urinar. Não sei o porquê, mas acho que o ônibus em que nós fomos não obedece às leis da relatividade. Toda vez que o ônibus parava e era anunciada uma parada de 15 minutos, dentro dele passavam-se uns 40 minutos. Nós não estávamos perto da velocidade da luz, pô!

Chegou a noite e a brasileirada apagou de vez. Os alemães, que começaram a beber mais tarde, continuaram um pouco, mas depois pararam. Aí fizemos a nossa última parada para pegar gente.

Nesse momento, eu faço uma pausa para expressar o meu carinho pelo povo alemão.

POVO FILHO DE UMA PUTA! PERDERAM A GUERRA? BEM-FEITO!

Digo isso porque os caras que subiram ("caras" é uma expressão; havia garotas entre eles) por último entraram no ônibus lá pelas 03:00. Eles dormiram em casa, provavelmente, acordaram e foram para o ponto de encontro. Estavam descansados, logo. Aí, os caras me sobem no ônibus, fazendo algazarra e tal. Até aí, já é meio caminho andado para a merda pegar, mas nós fingimos que não havia problema. Eis que um casal que sentou atrás da Kaline pede para ela reclinar o banco dela um pouco para a frente, porque estava desconfortável. Na posição dela, eu teria dito polidamente que não, mas, em um primeiro momento, ela manteve-se como um lorde e reclinou um pouco o banco, educadamente. Só que, não contentes, eles pediram para ela reclinar ainda mais. Ela respondeu que não, que todo mundo tinha ali o direito de reclinar o banco o quanto quisessem e não seriam eles que seriam especiais para ganhar mais espaço. Só que o idiota de trás dela começou a socar o banco dela, de pirraça.

Cara, eles ouviram tanto palavrão dela, em inglês, e do Roger, o namorado dela, em português, que a garota chegou a comentar, baixinho, "que rude!". Juro que, se não fosse a Kaline falar algumas palavras de amor aos alemães em questão, eu teria virado para trás e mandado eles chuparem um Schwarzwurst, mas um daqueles enormes. Depois disso, os alemães ficaram quietos por um tempo, voltaram a fazer baderna e dormiram, finalmente.

De manhã, paramos em um posto a meia hora do parque da Oktoberfest. Muitas excursões. Muitas. Gente de tudo quanto é canto, vestida com trajes da Bavária, de cara cheia, tomando café, pagando 0,50 euros para dar uma mijada (aqui é assim; a menos que você ache um matinho, ou como fazem os alemães mais discretos, mije embaixo de um poste iluminado ao lado do seu ônibus).

Eu já havia acordado meio azedo, por conta de uma vodka Gorbachev,  que tem aqui para vender. Aí me vem conversar um moleque de uns 18, 20 anos, completamente bêbado (estou sendo modesto ao usar o termo "completamente bêbado"). O cara olhou para a minha roupa do Tigre e já achou que era de um time local. Quando eu falei que éramos brasileiros, ele armou um barraco, falando de jogadores alemães, que parte da seleção alemã é turca, bla bla bla bla bla bla bla bla... quando eu já nem prestava mais atenção ao que aquele chucrute dizia, ele olhou para mim e perguntou: "blowjob"?

É isso mesmo, ele perguntou isso. Na frente de uns quatro brasileiros que estavam na minha roda. Eu fiquei completamente sem reação. Não sabia se mandava ele comer Scheise, batia nele, ria ou qualquer outra reação de uma pessoa normal. Em seguida a essa poesia, ele levantou a mão e começou a imitar um macaco, ou um torcedor de futebol. Até agora eu não sei o quê. Nessa hora, passou uma garota por nós, se agarrou ao braço dele e falou algo do tipo "vem". Ela deve ter falado algo como "vem, seu filho da puta", porque ela estava com uma cara de pouquíssimos amigos, tipo aquela cara que nós fazemos depois de dar de cara em uma porta de vidro, sem adesivos de sinalização. Como se não fosse o bastante para provar como ela adorava o garoto-macaco, ela chegou na beira do estacionamento, viu que havia um ônibus se aproximando e largou o braço do moleque. Ele foi, trêbado, e ela ficou no acostamento. Infelizmente, o motorista estava atento e reduziu a velocidade. Não foi nesse fim-de-semana que a seleção natural das estradas eliminou essa espécie de meninos-macacos-bêbados-cujas-amigas-os-odeiam.

Então, chegamos lá! Oktoberfest! No próximo post, vou contar como foi na festa, o que rolou de bom, de ruim, whatever.




















Ah, eu passei em frente ao estádio Allianz Arena, do Bayern München. Esta é a melhor foto que eu consegui bater, depois de achar a minha câmera, ligá-la, achar a melhor configuração e conseguir uma janela para bater a maldita foto.

O local é animal. Consegui bater uma foto decente com a arena ao fundo? Não.
FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

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